No último dia 02 de fevereiro rolaram os festejos em homenagem a Rainha do Mar, a nossa reverenciada Iemanjá. Seguindo o calendário Jurêmico de festas sagradas, lá fomos nós, membros da Equipe de Assuntos Sagrados e Profanos cumprir a tradição de presentear a Deusa das Águas, no seu bairro de tradição, o Rio Vermelho, antes de saborear a já igualmente tradicional feijoada que rola todos os anos, nesta mesma data, ali nos arredores da festa.
Pela primeira vez, por motivos de "adultez" (pessoas formadas, profissionais com horários de trabalho a cumprir e afins), chegamos ao Rio Vermelho no período da tarde, minutos após a saída do balaio com todas as oferendas para serem depositados em alto mar (diminuindo a chance de devolução da Deusa e, assim sendo, aumentando as chances de desejos atendidos). Para espanto e surpresa da E.A.S.P. (Equipe de Assuntos Sagrados e Profanos), junto com o balaio, tinha partido também para alto mar todo o sagrado da festa, ficando ali, na Praia da Paciência, apenas o profano, com direito às mais toscas expressões da cultura popular baiana: entenda-se o pagode, suas mini-saias, cordões-cheirosos e danças horrendas.
Após um período que pareceu durar hooooooras em meio a uma multidão ensandecida, nós da Equipe, flores já murchas a mão, desistimos de tentar chegar a Praia da Paciência e seguimos para a outra faixa de litoral disponível, a grandiosa foz do Rio Vermelho (o rio mesmo) que de tão podre deveria se chamar rio marrom, verde musgo, cinza ou qualquer cor que lembre materia orgânica em decomposição. Enfrentando os brindes-inclusos-no-pacote salmonela, meningite (todas as letras), hepatite (de novo, todas as letras), larvas migras ou qualquer outra dessas doenças tipicamente tropicais, lá fomos nós, enfiar o pé na areia (podre) daquilo que um dia foi praia e hoje se tornou um aterro sanitário. Para elevar ainda mais o espírito da experiência, descobrimos que o muro de um casarão construído a beira-mar também servia de banheiro da população (nada constrangida em botar os seus "pipis" baianos de fora e devolver às aguas sagradas toda a àgua profana, e dura, que haviam ingerido durante os festejos.
Iemanjá se mostrava impaciente, borrifando suas águas (desta vez contaminadas) na gente, o que nos prejudicou um pouco a concentração para fazer os pedidos. Concentração retomada, pedidos feitos, homenagens prestadas, hora de voltar para comer a feijoada, mas não sem antes enfrentar filas de todas-enfiadas rebolando até o chão com a pernas abertas, orgulhosas em demonstrar toda a sua suingueira e os cordões-cheirosos de renda, comprados na Barroquinha pela pechincha de "um é quatro, dois é seis e três é dez real". Ah! Isso tudo na frente de uma batalhão (???) da PM, que assistia a toda essa "espontaneidade" sem mexer um músculo facial. Acredito que já viram coisas piores por ai...
Ano que vem estaremos lá de novo. Tradição é tradição e na Bahia tem força dobrada. A diferença é que, ano que vem, empregos de 8:00 as 17:00 garantidos, rumaremos às nossas obrigações religiosas antes do trabalho, pela manhã (ou madrugada mesmo).
Para depois do trabalho, deixaremos apenas a tradição da feijoada, sem a participação mainhas e papás rebolantes.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Baianidade Nagô: dia 02 de fevereirooooo...
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Deus é mais...
ResponderExcluirAinda bem que eu não estava aqui pra ver isso tudo...
E.A.S.P. (Equipe de Assuntos Sagrados e Profanos)
ResponderExcluirestou impressionado com tanta criatividade!!!!
meniiiiiiina!!!!!!!, voce viu ontem no programa do "Cassemiro" o casal fazendo "neném" na praia? Estou procurando o vídeo no you tubiu.... ehhehe prometo não colocar no blog!
Hahahahahaha!
ResponderExcluirCassemiro é muso deste blog. A musa é Leocret.
Hahahahahahaha!!!
Ainda faltam posts do carnaval!
Ah, a EASP é uma equipe especial de operações jurêmicas. Estilo SWAT, saca? ;)